Português Angolano x Português de Portugal X Português Brasileiro
(v.) = verbo. (gír.=gíria)
Obs.: para saber o motivo de não existirem vocabulários dos outros PALOP e/ou de Timor Leste neste espaço, leia o final desta página.

Em Angola Em Portugal No Brasil
abacaxi ananás (a forma angolana é bem mais usada)
anhara, chana  (1) (savana tb.) savana savana (refere-se à região de savana)
azeite doce azeite (de azeitonas) azeite
barona (gír. angolana) garota bonita (várias gír. são usadas: gata, gatinha, avião, etc)
bazar  (v.) (gír. angolana) ir embora ir embora (gír.: cair fora)
bicha paneleiro (mais usado) (inúmeras gír.; mais conhecidas: bicha, veado, baitola)
bumbar   (v.) (gír. angolana) trabalhar (gír.bras. em SP: trampar, ralar)
cacimba poço poço ou cacimba (esta últ. + comum no Nordeste bras.)
chuinga pastilha elástica Goma de mascar, chiclete
cuíta ? cuíca (instrumento musical)
farra festa festa ou farra (esta últ. mais sinônimo de algazarra)
fubá de bombo   fubá de mandioca
garina (a palavra se originou em Portugal, na região de Estremadura, fronteira com a Espanha) moça (com o signif. de mulher de pouca idade) moça, mocinha, guria
lavras terreno de cultivo terreno, roça
jindungo malagueta, piri-piri pimenta malagueta
jinguba amendoim amendoim
mataco ou bunda cu bunda (cu no Brasil é sinônimo de ânus, e considerado chulo)
maximbombo     (2) autocarro ônibus
muceque (liter. significa "lugar de areia") bairro de lata favela
óleo de palma ? azeite de dendê
panquê (origem afr.) comida comida (algumas gír. brasileiras: rango, bóia...)
quítia ou kítia (origem afr.) saia saia (peça do vest. feminino)
quítia ou kítia (na gíria angolana) garota (ou tb. mulherio) garota (há inúmeras gír. brasileiras); mulherio, mulherada

(1) - Aos angolanos: "chana" em muitas partes do Brasil é uma gíria para designar a genitália feminina ... NÃO a usem com o significado que tem em Angola, para evitar confusão!
(2) - Na Bahia existiu (ainda existe?) a palavra "maxambomba" em fins do século XIX, designando um veículo desconjuntado e velho, ou ainda o trole usado nos portos fluviais para carga e descarga dos vapores. As expressões "maximbomba" e "maxambomba" vêm do inglês "machine pump".

OUTRAS DICAS - incluindo palavras incorporadas do umbundo e do quimbundo, línguas africanas de Angola:
- Candonga – Em Angola designa o contrabando. Inicialmente o contrabando de peixe seco. Só muitos anos mais tarde se passaria a usar o termo «candongueiro» para designar os contrabandistas de diamantes ou mais tarde ainda, os novos taxistas luandenses do chamado "processo dos 500".
- "Contratado"  – Eufemismo que substituiu o termo escravo, no trabalho compelido a que os africanos nativos estavam sujeitos nas roças e fazendas, durante a época colonial do Estado Novo (regime Salazarista) português.
- Comboio mala – designação do comboio (trem) que transportava as malas do correio.
- "Semba" = Palavra que significa "umbigada". O semba, dança praticada em Luanda, deu origem ao samba brasileiro. Em vários momentos da dança os pares trocavam umbigadas. Trazida para o Brasil por escravos oriundos de Angola, modificou-se e mudou de nome.
- "Kizomba" ou "Quizomba", palavra que foi usada no tema de carnaval da escola de samba Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro em 1988, é um tipo de música e dança angolanas.
- Uma informação: a palavra brasileira "quilombo" (local de refúgio de escravos fugidos)  é originária da língua quimbundo, e significa "capital, povoação".
- em Angola, um "clementino" quer dizer alguém que aceitou clemência, perdão de uma autoridade. É um termo político
- Tukeia ou tuqueia – é um peixe lacustre das anharas (savanas) do leste da Angola.
- Sanzala  –  ou «senzala». significa cidade, aldeia africana. No Brasil, passou a designar o galpão onde dormiam os escravos.
- O "pirão" ou "funji" é uma comida tradiconal angolana.  É uma espécie de papa, preparada com  fubá ou farinha, e com este sentido é palavra também empregada no Brasil - onde criou-se o ditado popular "Farinha pouca, meu pirão primeiro", significando que, em épocas de dificuldades, busca-se primeiro satisfazer a si próprio e depois aos outros.
- Kinda ou Quinda  é um cesto cónico que as mulheres transportam à cabeça.
- O fubá é a farinha de milho, mandioca ou massango usado para preparar o pirão. No Brasil, designa apenas a farinha de milho.
- A palavra "moleque" no Brasil é originária do quimbundo "mu'leke" = menino. Porém aqui assumiu com o tempo inúmeros significados, carinhosos ou pejorativos conforme seu emprego. Pode ser uma forma de tratar qualquer menino, independente da cor da pele ser branca ou negra, não necessariamente pejorativa. Pode, por exemplo, significar um indivíduo brincalhão, engraçado. Ou ainda, se esbravejada contra um adulto em tom de discussão; "Seu moleque!", estará significando um indivíduo sem palavra, um canalha, um cafajeste.

Alguns significados brasileiros foram confirmados no "Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa", edição 1986 - reimpressão 1997).
Meus agradecimentos ao amigo Luís Antunes, angolano residente na Grã Bretanha, pelas dicas acima - sem as quais este "pequeno vocabulário" não existiria.

Muitos me perguntam o motivo de não existirem, neste espaço, outros "vocabulários" de palavras e expressões usadas em outros países africanos e também no Timor Leste. O motivo é simples: a inexistência de contato meu com outras fontes. A finalidade do "vocabulário" acima NÃO É, repito, NÃO É formar um "dicionário" nem criar um "curso sobre variações da língua portuguesa". NÃO, nunca foi e nunca será! A finalidade é mostrar que algumas diferenças existem (e mostrar algumas delas, é lógico), até pelas distâncias geográficas que permitiram a evolução distinta de palavras e expressões. E mostrar algumas ("TODAS", só um dicionário - se conseguir...) das palavras e/ou expressões da nossa língua que atravessaram o Atlântico Sul, da África à América do Sul (e vice-versa) sem escalas em Portugal. Diferenças de vocabulário, porém, que não impedem a comunicação, evidentemente...

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(revisão: 11.dez.2004)