ONTEM E HOJE - a língua portuguesa no mundo.
a) ONTEM:
1-Na ÍNDIA, em MACAU, na INDONÉSIA, em MÁLACA e no CEILÃO:
Após haver descoberto o caminho marítimo
para a Índia em 1498, Portugal passou a enviar anualmente uma
grande armada carregada de soldados, missionários e comerciantes
com mercadorias para serem trocadas por pimenta e outras
especiarias, na região de Malabar. Este negócio, embora
arriscado (naufrágios, péssimas condições de higiene e
alimentação nas viagens, gerando doenças e mortalidade) era
muito lucrativo, numa Europa que necessitava conservar carne e
outros alimentos para períodos de inverno, utilizando-se para
tanto das especiarias. Cedo, porém, Portugal defrontou-se com os
otomanos, que dominavam o comércio no Oceano Índico e que
opuseram-se comercial e militarmente à expansão portuguesa.
A resposta foi o início da expansão militar e territorial: o
ataque a Calicute em 1500 representou o início de 150 anos de
confrontos, primeiramente com os otomanos e, mais tarde, com os
holandeses, pelo domínio comercial na região. O plano passou a
ser o de conquistar cidades estratégicas, como Ormuz, em 1507,
Goa, em 1510 e Málaca, em 1511. Tentaram ainda conquistar Áden,
na entrada do Mar Vermelho, porém sem sucesso. Outras posições
estratégicas, como Colombo (capital do Sri Lanka, o antigo
Ceilão), Ternate (nas Ilhas Molucas, atualmente parte da
Indonésia), Diu e Damão (ambas na Índia), também foram
ocupadas. Ormuz foi retomada pelos otomanos em 1622. Málaca
foi ocupada pelos holandeses em 1641, Ternate em seguida, e
Colombo caiu em mãos holandesas em 1652. Neste meio tempo os
portugueses receberam Macau da China,
em 1557, e desde 1540 comerciavam até com o Japão.
Em Ormuz o português desapareceu com a retomada otomana. Em
Málaca, porém, subsiste até hoje um dialeto que contém
palavras de origem portuguesa, o "cristão" ou
"kristang". Este dialeto hoje existe também em
Cingapura, numa pequena comunidade malaia que para lá migrou, e
que adotou-o como língua oficial. No Sri Lanka,
nas cidades de Batticaloa, Puttalan e Tricomalee, subsistem
pequenos grupos de famílias que falam dialetos que contêm
palavras de origem portuguesa. Na INDONÉSIA atual há
dialetos de base portuguesa nas ilhas Molucas e em Java, além de
Timor Leste.
Os núcleos indianos de Goa, Damão e Diu
permaneceram sob domínio português até 1961, quando a Índia,
independente desde 1948, os retomou. Goa foi a
mais importante destas cidades, tendo sido a sede da
organização colonial portuguesa na Ásia. Em Damão, Diu,
Korlai e Cochim (cidade ao sul da Índia) sobrevivem dialetos de
base portuguesa, cada vez mais ameaçados de extinção, pois
falados por poucos milhares ou centenas de pessoas, e sem o
prestígio que possui o inglês, a língua que garante a
comunicação entre os diversos povos do estado indiano. Também
em Goa o inglês suplanta cada vez mais o português (para
links sobre Goa, Damão e Diu, clique aqui).
2 - EM CASAMANSA, no Senegal
A região de Casamansa, ou Casamanse, ao sul do Senegal, até a fronteira com a Gâmbia, e que tem como principal cidade Ziguinchor, possui uma grande comunidade falante de um crioulo-português muito semelhante ao da vizinha Guiné-Bissau, ao sul. Esta região pertenceu a Portugal, e foi cedida por tratado à França em fins do século XIX. Ziguinchor foi utilizada pelos portugueses como entreposto do comércio com a região. O Movimento das Forças Democráticas de Casamanse reivindica a independência para a região.
Fontes de informação (bibliografia): "Pequena História das Grandes Nações" - José Hermano Saraiva - ed. Círculo do Livro (sob licença de Minerva S/A - Genebra - Suíça - 1979); "Atlas da Folha de São Paulo - The Times" (1997); Almanaque Abril 1994 e 1997; sites "República Cultural Lusófona", "Viva Goa". Agradeço aos amigos Emerson Santiago Silva, Francisco Manuel (autor de "República Cultural Lusófona") e Constantino Xavier (autor de "Viva Goa") pelas correções apresentadas.
LINKS sobre História e Cultura Portuguesas na Ásia (Exceto Goa, Macau e Timor) FÓRUM LUSO ASIÁTICO associação criada em Fevereiro de 1997, em Lisboa, que tem como finalidade promover e realizar iniciativas públicas de divulgação da Ásia em Portugal, que contribuam para o reforço da cooperação, compreensão e amizade entre Portugal e os países e povos asiáticos PORTUGUESE EURASIAN ASSOCIATION: site desenvolvido por Gerard Fernandis, membro da comunidade luso-descendente de Málaca, na Malásia. Esta comunidade, mestiça de malaios, portugueses e também dos invasores holandeses do século XVII fala um dialeto, o 'cristão', ou 'kristang', que contém palavras originárias do português, e também conserva tradições, como danças, tipicamente portuguesas. (Site que conheci graças à colaboração de Emerson Santiago Silva, de Franca, SP) - SITE EM INGLÊS, com fotos. DUTCH AND PORTUGUESE COLONIAL HISTORIES - um site construído por Marco Ramerini, italiano, sobre a história dos impérios coloniais português e holandês. O autor detalha a empreitada colonial portuguesa na Ásia, África e Brasil no século XVI, e as tentativas holandesas (às vezes bem sucedidas) de instalar-se naqueles territórios. Site com excelentes referências históricas (EM INGLÊS E ITALIANO). |
b) HOJE - COMUNIDADES PELO MUNDO
(texto iniciado em 02.dez.1998. Finalizado em 28 de setembro de 2002).
Nota: na medida do possível, busco dados oficiais - provenientes de embaixadas, consulados, homepages das comunidades, ou publicações em geral - porém nem sempre estes existem. Sempre citarei as fontes consultadas e, se for uma homepage, indicarei o link.
BRASILEIROS (Fonte: Itamarati - Informações que constavam site do Consulado do Brasil em Lisboa)
TOTAL: 1.342.189 pessoas.
| - INGLATERRA: 19.500 | - ITÁLIA: 16.800 | - ESPANHA: 12.000 |
| - FRANÇA: 8.200 | SUÍÇA: 7.200 | - SUÉCIA: 7.000 |
| - BÉLGICA: 2.900 | - GRÉCIA: 2.500 | - HOLANDA: 2.000 |
| - NOVA IORQUE: c. de 230.000 | - BOSTON: 150.000 | - MIAMI: 130.000 |
| - WASHINGTON DC: 47.000 | - HOUSTON: 15.000 | - SAN FRANCISCO: 15.000 |
PORTUGUESES E LUSO-DESCENDENTES* (DADOS DA SECRETARIA DE ESTADO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS - 1997-1998).
TOTAL: 4.806.353 pessoas*
1 - Nas AMÉRICAS encontra-se a maior parte dos emigrantes - 62,27% ou 2.993.127 pessoas, sendo as mais expressivas:
| -EUA: 1.153.000 *a | BRASIL: 1 milhão *b | CANADÁ: 415.000 *c | VENEZUELA: 400.000 | ARGENTINA: 16.000 |
*a - Censo de 1990,
inclusive descendentes de imigrantes desde 1820 a 1990. Cerca de
210.122 nascidos em Portugal
*b - excluindo-se os naturalizados brasileiros, os amparados pelo
Estatuto de Igualdade de Direitos, e os > de 60 anos
*c - número estimado entre 415 mil e 515 mil pessoas, incluindo
luso-descendentes
Há ainda 2.500 cidadãos portugueses (c. de 3% da população)
nas ilhas Bermudas, além de luso-descententes estimados em
c. de 10% da população(*1), que não se expressam em português
((*1) - fonte: Emerson Santiago Silva)
2 - Na EUROPA encontram-se 28,84% dos emigrantes, ou 1.386.292 pessoas. As maiores comunidades estão em:
| FRANÇA: 798.837*d | ALEMANHA: 170.000 *e | SUÍÇA: 152.826 | REINO UNIDO: 80 mil *f |
| ESPANHA: 63.717 | LUXEMBURGO: 54.490 *g | BÉLGICA: 38 mil | HOLANDA: 9.230 |
* d- Censo de 1990. Das 798 837
pessoas, 603 686 nasceram em Portugal e 195 151 na França.
* e- 132.314 portugueses, segundo o Instituto Federal de
Estatística alemão
* f - estima-se que nas Ilhas do Canal 7% dos habitantes sejam
portugueses (Revista Volta ao Mundo)
*g - Quase 12% da população do país.
3- Na ÁFRICA encontram-se 7,12% dos emigrantes (342.264 pessoas), principalmente em:
| ÁFRICA DO SUL: 300.000 | ANGOLA: 20 mil | MOÇAMBIQUE: 13.229 | ZIMBABWE: 2.300 |
4- Na ÁSIA, 0,61% (29.211 pessoas, sendo c. de 20 mil em Hong Kong) e OCEANIA, 1,15% (55.339 na Austrália. Apenas 120 pessoas na Nova Zelândia)
CABOVERDIANOS**: Estimativas oficiais de 2000 davam conta
de mais de 500 mil caboverdianos vivendo no exterior, número
superior à população oficial do país.
Nas AMÉRICAS, são mais de 255 mil, sendo 250
mil nos EUA e os outros 5 mil no Canadá, Brasil, Argentina, etc
Na EUROPA: cerca de 151 mil, sendo 80 mil em
Portugal (excluindo os que emigraram antes de 1975) e 25 mil na
França. Os demais na Itália, Espanha, Holanda, Luxemburgo,
Suíça, Suécia, Alemanha, Bélgica e Noruega.
Na ÁFRICA são 72 mil. Destes, 35 mil estão em
Angola, 25 mil no Senegal, e 12 mil nos demais PALOP e no Gabão.
O governo caboverdiano, atento para este grande contingente,
criou o Instituto de Apoio ao Emigrante (IAPE), e garante o
direito à nacionalidade aos descendentes de cidadãos
caboverdianos nascidos no estrangeiro.
** Fonte:
http://www.cabonet.cv/Outros/censo2000diasp.htm (homepage da Cabonet, com dados
preliminares do Censo 2000)
OUTRAS COMUNIDADES DOS
PALOP (RESIDENTES
EM PORTUGAL)
FONTE - SEF -Serviço de Imigração e Fronteiras http://www.sef.pt Dados de 1998. Não incluídos os que
estavam em Portugal antes de 1975, pois eram considerados como
Portugueses.
ANGOLANOS: segundo
o SEF havia 16.487 angolanos residentes em Portugal em 1998.
Destes, até 17 de maio de 2002 o total legalizado era de 6.634.
MOÇAMBICANOS: 4.429
era o total de moçambicanos registrados em Portugal.
SÃO-TOMEENSES: 4.388
residiam em Portugal em 1998.
GUINEENSES: 12.894 imigrantes da Guiné-Bissau residiam
em Portugal em 1998.
NOTA:
Há dificuldades para obter estatísticas oficiais sobre
imigrantes dos PALOP (exceto Cabo Verde) em outros países,
à exceção de Portugal, e os motivos são vários: em alguns
casos, simplesmente não há nenhuma estatística a respeito
publicada na Internet; em outros, o registro é feito por
continente (somando-se com outros africanos); podem ainda figurar
como "outros" (naqueles países onde o total de
oriundos dos PALOP não for significativo em relação à
população total). Também não há nenhuma totalização dos
estrangeiros residentes na União Européia no site da UE, o que
dificulta qualquer estimativa, digamos, do total de angolanos
residentes na França, Reino Unido ou Alemanha.
No caso de Angola, da Guiné-Bissau e de Moçambique, há também
uma enorme dificuldade de estimar o número dos que saíram por
motivo de guerra e/ou dificuldades econômicas e que se encontram
em países vizinhos ou em outros mais distantes (Brasil, EUA,
outros países da UE exceto Portugal, etc). No caso de Angola, a
ONU estimava que houvessem 328 mil refugiados nos vizinhos Congo,
África do Sul, Botswana e Namíbia, no ano 2000.
GALEGOS, MACAENSES, GOESES e TIMORENSES: não há dados oficiais. No caso destes povos, os totais de seus imigrantes em outros países não aparece em estatísticas oficiais. Os galegos são registrados nos Censos de qualquer país (exceto, claro, a Espanha) como "espanhóis"; os macaenses como "chineses" (até 1999 como "portugueses"); os goeses são contados como "indianos" e os timorenses, até os Censos de 2001, eram recenseados como "indonésios". O fato de não existirem como nação (o Timor Leste passou a sê-lo apenas a 20 de maio de 2002) impossibilita uma contagem oficial por qualquer país.
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