Fonte: Pequena História das Grandes Nações, José Hermano Saraiva, 1979, Ed. Círculo do Livro. Sites da XUNTA DE GALICIA e da Wikipédia em português e em galego. Página reescrita em 24.10.2004 e revisada em 31.10.2004

GALIZA

Condição política: Comunidade autônoma da Espanha. Área total: 29.575 Km2. População: 2,8 milhões de habitantes (estimativa 2004). Densidade demográfica: 92,8 hab/Km2. Línguas: galego (oficial, de acordo com o Estatuto de Autonomia) e espanhol. Moeda: EURO (para cotações, vide texto sobre Portugal). Divisão administrativa: quatro províncias: Corunha (em espanhol, La Coruña), Lugo, Ourense e Pontevedra (cujas capitais são as cidades homônimas). Governo: composto pela Xunta (órgão executivo, com um presidente, eleito pelo Parlamento e nomeado pelo rei da Espanha) e pelo Parlamento (com 75 membros, eleitos para um período de quatro anos), ambos sediados em Santiago de Compostela. Presidente da Xunta: Manuel Fraga Iribarne, desde 17.12.1989, reeleito em 1993 e 1997.

HISTÓRIA: O idioma galego é bastante próximo do português - muitos lingüistas consideram-nos apenas variações de uma mesma língua. De fato, até o século XII, o atual norte de Portugal e a Galiza faziam parte do reino asturiano-leonês - a região ao sul do rio Minho, hoje parte de Portugal, formava o chamado Condado Portucalense, que era vassalo (súdito) dos reis de Leão (León). Toda orla ocidental do reino asturiano-leonês falava uma língua comum, que hoje denominamos galaico-português ou galego-português. Em 1128, Dom Afonso Henriques (que viria a se tornar o primeiro rei de Portugal) defrontou-se com tropas de Leão e saiu vitorioso. Onze anos depois, em 1139, derrotaria os mouros na batalha de Ourique. No ano seguinte, passa a usar o título de rei, tornando-se Dom Afonso I. Em 1143, o rei de Leão e Castela reconhece a independência portuguesa.
Enquanto a expansão portuguesa seguia para o sul, ocupando terras dominadas pelos mouros, a região ao norte do Minho continuou sob influência leonesa e posteriormente castelhana. Da mesma forma, o idioma falado ao sul e ao norte do Minho foi sofrendo diferenciações ao longo dos séculos. Mesmo assim, ainda hoje os dois falares, galego e português, são mutuamente compreensíveis. Há lingüistas que consideram-nos duas línguas distintas, porém bem próximas. Outros consideram-nos dialetos de uma mesma língua.
No que diz respeito à grafia, a Real Academia Galega, surgida em 1905, adotou uma grafia para o galego próxima do castelhano, com o emprego, por exemplo do dígrafo "ll" (para o som de "lh" em português), ñ (para o som nh em português) ou ainda terminações em "-ción". Além disso, adotou a letra "x" para grafar palavras que, em português, são grafadas com "como j" ou "g" (e som de "j"), tais "xeito", "Bélxica" "xeneral", "xunta" (em português, "jeito", "Bélgica", "general", "junta"). Há, porém, acadêmicos que desejam uma reaproximação do galego escrito das normas do português escrito. A AGAL (Associaçom Galega da Língua) defende a adóção, por exemplo, de "-çom" ao invés de "-ción", de "lh" ao invés de "ll", de "nh" ao invés de "ñ", etc.
Outros advogam mesmo a plena aceitação das regras de escrita do português padrão, nomeadamente as que resultaram do acordo ortográfico de 1990, em vias de ser oficializado em todos os países lusófonos. (No final desta página, alguns links permitirão comparar as grafias).

ECONOMIA

SETOR PRIMÁRIO: A agricultura galega é caracterizada pelos minifúndios com alta produtividade e policultura. Os principais cultivos são os de cereais (trigo e centeio), plantas forrageiras (pastagens e milho para engorda de gado), videiras, batata e hortaliças. A pecuária, possui mais de 700 mil cabeças de bovinos (responsáveis por 2,3 milhões de toneladas de leite), 777 mil suínos, 242 mil ovinos e 37.600 caprinos. Apicultura: 1357 toneladas de mel (dados de 2003). Produziu também 146 mil t. de carne de aves, 5.200 t de carne de coelho e desenvolve a criação de cavalos de raça para exportação. (Fonte: página da Xunta).
SETOR SECUNDÁRIO: destacam-se as indústrias aeronáutica (componentes para os Airbus europeus), automobilística (20% do PIB industrial e 18,75% do PIB geral da Galiza, com a Peugeot-Citroën), madeira e derivados, têxtil e confecção, naval, mineração (pedra para construção, argila, quartzo, magnesita, caulim) e cerâmica.
TURISMO: em 1999, a Galiza recebeu mais de 5 milhões de turistas, e deste ano em diante a média de visitantes foi sempre superior a 4 milhões de pessoas por ano gerando receitas anuais superiores a 2,7 bilhões de Euros. Eventos como o Xacobeo (a peregrinação a Santiago de Compostela refazendo o chamado "Caminho de Santiago") ajudam a alcançar estes números.

NOTA ADICIONAL: a denominação correta em língua portuguesa é "GALIZA", e não Galícia. Em português, Galícia é o nome de uma região geográfica da Polônia. Na língua espanhola, no inglês (por influência espanhola) e no galego com grafia aproximada à do espanhol escreve-se "Galicia"; porém, em língua portuguesa, o certo é GALIZA. (dica de Manuel de Sousa - Portugal)


LINKS ADICIONAIS SOBRE A GALIZA (26.10.2004)

HISTÓRIA, LÍNGUA E CULTURA

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